• Eduardo Bartkevihi

Legado de Joãozinho da Goméia é reconhecido pela Assembleia Legislativa do Rio

No ano em que a morte do sacerdote completa 50 anos, duas grandes conquistas perpassam a sua identidade

(Foto: Reprodução)

Aprovados pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), as Leis nº 9.259/21 e nº 9.251/21 fortalecem o reconhecimento das comunidades de terreiro enquanto pertencentes à sociedade. As propostas reconhecem o dia 27 de março, data de nascimento de Joãozinho da Goméia, como Dia Estadual de Conscientização Contra o Racismo Religioso, e efetiva o tombamento do Terreiro da Goméia, reconhecendo-o patrimônio histórico e cultural do estado do Rio.


As iniciativas são consideradas conquistas importantes para as comunidades de terreiro, já que fortalecem os espaços ocupados pelos povos afro-brasileiros e pela sua cultura, preservando-os e resguardando-os contra preconceitos existentes na sociedade. "Falar do decreto do tombamento do Joãozinho da Goméia, em Duque de Caxias, é falar não só de um espaço religioso que representa e vivencia toda a ancestralidade, mas também de um espaço de resistência cultural e social de tudo que ele representava", afirma Lorrama Machado, representante da Comissão de Combate às Discriminações da Alerj.


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A série de reconhecimentos históricos e civilizatórios voltado às comunidades de matrizes africanas acontece por alinhamento da população de terreiro com deputados que se propõem a dialogar sobre a proteção e conservação dos saberes e fundamentos ancestrais. Lemba Dyala, coordenador da Comissão de Preservação e Tombamento da Memória Goméia e tataraneto de Joãozinho da Goméia, exalta o trabalho em conjunto da Alerj. "De mãos dadas com os parlamentares do estado, os esforços do povo de terreiro vão construindo uma outra memória, outra realidade, acerca da espiritualidade africana", comentou.


Joãozinho da Goméia é considerado um grande difusor das culturas de matrizes africanas por dar visibilidade e valorizar, de modo público e resistente às opressões, a sua cultura. "É uma figura lendária em Caxias, no Rio e no Brasil. Um homem preto, nordestino, gay e sambista, que marcou pela sua espiritualidade enquanto pai de santo, no samba enquanto integrante de escola de samba e a produção de fantasias e de roupa — senão também pelo seu apelo social naquele espaço, do seu trabalho social e existencial daquela comunidade", completa Lemba Dyala.


A influência exercida por João Alves Torres Filho — Joãozinho da Goméia, como era conhecido, ou Tata Londirá, seu nome iniciático — permanece até hoje, de modo que a sua presença fortalece intensamente a luta do seu povo e da sua comunidade.

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